ARTIGOS DE SEXUALIDADE - PARTE I - (12/11/2002)

QUAIS AS CONDUTAS TERAPÊUTICAS QUANDO A INADEQUAÇÃO SEXUAL É O VAGINISMO?
Dra. Jaqueline Brendler - Coordenadora da 4° Jornada Gaúcha de Sexualidade Humana

O Vaginismo é uma síndrome psicossomática caracterizada pela contração involuntária da musculatura que circundada o intróito vaginal. Ele impede a mulher de ter penetração peniana.

Se há algum sofrimento causada pelo vaginismo e há procura do tratamento é considerado que há inadequação em relação à esse transtorno sexual e o terapeuta pode aceitar realizar o tratamento. Há casais nos quais a mulher possuiu vaginismo e que estão confortáveis em relação ao seu relacionamento e não desejam se tratar, ou seja , pode haver adequação do casal em relação ao vaginismo . O ideal é que o casal compareça a terapia sexual, contudo a mulher pode obter a resolução do vaginismo em terapia individual que use a linha comportamental cognitiva isolada ou associada à outra corrente terapêutica. Disfunção sexual no parceiro sexual deve ser pesquisada, pois na minha estatística 7 parceiros em 40 mulheres atendidas por vaginismo possuíam disfunção sexual ,ou seja, 5 possuíam ejaculação precoce e 2 deles apresentavam disfunção erétil. Constatei que ,nesses casos, se o casal fizer o tratamento o tempo decorrido até o momento da terapia se encurta.

Há internalizado, em 89.47% das pacientes com vaginismo, a expectativa da primeira relação sexual doer, sangrar ou machucar os genitais. Há a associação de SEXO com DOR e esse pode ser o motivo central do vaginismo. A expectativa de doer pode ter sido passado através de uma educação castradora que faz as meninas temerem e adiarem a iniciação sexual mas também pode ser fruto de uma violência sexual. Todos os tipos de violência sexuais devem ser pesquisados nos casos de vaginismo. A virgindade é muito valorizada por essas pacientes.

Qual o significado simbólico do coito para essas mulheres ? Essa pergunta deve ser respondida durante a terapia pois o sucesso do tratamento do vaginismo pode estar relacionada com o significado emocional de ter coito. FOBIA SIMPLES foi diagnosticada em 94.47 % dos casos na minha clínica privada.

A mulher com vaginismo pode ter uma resposta sexual orgástica junto ao parceiro, desde que haja o pacto que não haverá tentativas de penetração. Já o desejo sexual diminuído foi diagnosticado em 78.94% delas. TODOS os aspectos citados como, a expectativa do primeiro coito causar dor, a associação de sexo com dor, a fobia em relação a penetração, a vivência de violência sexual, a hipervalorização da virgindade e o significado do coito, necessitam ser trabalhadas para que sejam elaborados pela paciente. Fornecer esclarecimentos sobre anatomia, fisiologia e sexualidade ajudam na resolução. São várias as técnicas da linha comportamental cognitiva e behaviorista empregadas. Uma das primeiras medidas é verificar através do exame ginecológico a normalidade anatômica dos seus genitais. Mulheres com patologias ginecológicas congênitas ou adquiridas podem apresentar dispareunia, isto é, dor coital , e não apresentam numa fase aguda o vaginismo. A maioria das dispareunias são facilmente tratadas pelos ginecologistas. Uma dispareunia que não foi tratada e permaneceu por longo tempo, pode ser causa de um vaginismo secundário, pois haverá um reflexo condicionado internalizado. A maioria das pacientes tem vaginismo primário, isto é, aquele que se desenvolveu a partir das primeiras tentativas de coito. Nos casos de vaginismo é útil a “Dessensibilização sistemática progressiva”, que pode ser feita após as pesquisas de cenas ansiogênicas e a “Dessensibilização sistemática ‘In vivo’ ”. São úteis também os exercícios de Kegel .

O vaginismo é um transtorno sexual que tem solução; a média de tempo para a sua resolução são 6 meses de terapia sexual.

4° Jornada Gaúcha de Sexualidade Humana e 4° Seminário Sulbrasileiro de Educação Sexual , 25-27 de maio de 2001, página 15 .


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